duplas

QUANDO O CINEMA VAI AO TEATRO
         IPDJ- Faro // sábado, 16h

parceria: SPZS/FENPROF

apoio:  Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema


Para os próximos meses o Cineclube de Faro em parceria com o Sindicato dos Professores da Zona Sul (FENPROF) e com o apoio do Programa JCE (Juventude Cinema Escola) da DGEstE, DSRAl  programou um ciclo que sublinha aspetos teatrais do filme visíveis no argumento, ou na adaptação, ou na cenarização, ou no guarda-roupa, ou na direção de atores.

De janeiro a abril, a sessão mensal de sábado à tarde, às 16h no IPDJ em Faro. Será o espaço do cinema clássico dos grandes estúdios norte-americanos​ contando com as Divas de Hollywood​.​
bilheteira 

4€ público // 3€ estudante // 1.50€ SPZS/FENPROF // 1.50€ Rede do Programa JCE // 1€ sócios

gratuito para alunos do ensino secundário

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      calendário



















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último filme do ciclo
DUPLAS: QUANDO O CINEMA VAI AO TEATRO




7 ABRIL




QUE TERIA ACONTECIDO A BABY JANE?
Robert Aldrich. US: 1962. 128'




Realização: Robert Aldrich

Argumento: Lukas Heller, segundo o romance de Henry Farrell

Fotografia: Ernert Haller
Música: Frank De Vol
Montagem: Michael Luciano
Direcção Artística: William Glasgow
Figurinos: Norma Koch


Intérpretes: Bette Davis (Jane Hudson), Joan Crawford (Blanche Hudson), Victor Buono (Edwin Flagg), Wesley Addy (Marty, realizador), Julie Allred (Baby Jane Hudson, em 1917), Anne Barton (Cora Hudson), Marjorie Bennett (Mrs. Dehlia Flag), Bert Freed (Bem Golden, produtor), Anna Lee (Mrs. Bates), Maidie Norman (Elvira Stitt), Dave Willock (Ray Hudson), Gina Gillespie (Blanche Hudson, em 1917), etc.



Origem: EUA
Ano: 1962
Duração: 128’
Classificação etária: M/12


Produção: Robert Aldrich
Estreia Mundial: Novembro de 1962
Estreia em Portugal: Éden, em 21 de Fevereiro de 1964.






"Que Teria Acontecido a Baby Jane?" é um misto de "thriller", terror e drama psicológico, que conta com as excelentes interpretações de duas estrelas maiores de Hollywood: Bette Davis (Baby Jane) e Joan Crawford (Blanche). O realizador Robert Aldrich filma a história de duas irmãs que vivem juntas, depois de ambas, em distintas épocas, terem sido estrelas de cinema. Blanche, a mais nova, sofreu um acidente que a confinou a uma cadeira de rodas. Jane toma conta dela, alternando o papel de enfermeira devotada com atitudes de puro sadismo. O filme tornou-se rapidamente num objecto de culto, que retrata implacavelmente o fim da Idade de Ouro dos grandes estúdios de Hollywood. "Que Teria Acontecido a Baby Jane?" foi nomeado, em 1963, para cinco Óscares, ganhando apenas na categoria de melhor guarda-roupa. PÚBLICO

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 10 MAR 







QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOLF?


Mike Nichols. US:1966. 129’




Realização: Mike Nichols

Argumento: Ernest Lehman, segundo a peça homónima de Edward Albee

Fotografia: Haskell

Montagem: Sam O’Steen

Música: Alex North 

Cenários: George James Hopkins

Figurinos: Irene Sharaff
Caracterização: Gordon Bau (Elizabeth Taylor), Ron Berkeley (Richard Burton)



Intérpretes: Elizabeth Taylor (Martha), Richard Burton (George), George Segal (Nick), Sandy Dennis (Honey)


Estreia Mundial: Julho de 1966
Estreia em Portugal: S. Luis e Alvalade, em 14 de Março de 1969



óscares

Melhor Actriz – Elizabeth Taylor

Melhor Actriz Secundária – Sandy Dennis
Melhor Direcção Artística – Richard Sylbert & George Hopkins
Melhor Guarda-roupa – Irene Sharaff
Melhor Fotografia – Haskell Wexler

Para a história de Hollywood fica a nomeação em todas as categorias à época (13) 






sinopse
Famosa e chocante comédia negra, adaptada da escandalosa peça homónima de Edward Albee. Considerada demasiado franca, explícita e blasfema para o grande ecrã, foi encenada pela primeira vez em Nova Iorque em Outubro de 1962 e premiada com o prémio do Círculo de Críticos de Teatro de Nova Iorque e com um Tony. Marcou a estreia no cinema de Mike Nichols, que manteve a integridade da peça original, revelando o retrato dramático das batalhas destrutivas e sado-masoquistas de um tempestuoso casal, protagonizado por Elizabeth Taylor - provavelmente no seu melhor papel -, e por Richard Burton. Curiosamente, o casal era também protagonista de uma relação conflituosa na vida real, tendo-se casado e separado pelo menos três vezes. Em "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?" a batalha tem lugar quando o casal convida um par de amigos, Honey (Sandy Dennis) e Nick (George Segal), para passar a noite em sua casa. A noite revela-se amarga e os amigos passam a ser testemunhas de uma discussão acesa. O filme ganhou cinco dos Óscares (melhor actriz principal, melhor actriz secundária, melhor fotografia, melhor direcção artística e melhor guarda-roupa) dos 13 para que foi nomeado. PÚBLICO



nota
É o filme de um "duelo" entre Elizabeth Taylor e Richard Burton baseado na peça homónima de Edward Albee, à volta de dois casais (um de idade, e outro mais novo, sendo cada um o reflexo do outro) que se digladiam e se recompõem ao longo de uma terrível noite. É um dos filmes que marca uma inflexão na imagem de Elizabeth Taylor, que durante algum tempo se especializará em personagens neuróticas e descontroladas, longe do glamour dos seus filmes dos anos cinquenta. Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema



opinião
No centro de tudo está a sofisticada arte de representar de Elizabeth Taylor e Richard Burton. Aconteceu três anos depois de "Cleópatra", a superprodução dirigida por Joseph L. Mankiewicz: de símbolo do grande espectáculo, o par transformou-se em impressionante matéria dramática, sob a direcção rigorosa e exemplar por Mike Nichols.

Com Elizabeth Taylor e Richard Burton estavam George Segal e Sandy Dennis, formando um quarteto em que as memórias traumáticas, a dor dos remorsos e algum álcool à mistura se conjugavam para um bailado de confronto e destruição, de fria crueldade e, afinal, também de possível redenção — foi a estreia de Mike Nichols na realização, confirmando o estatuto de prestígio que já tinha enquanto encenador teatral; como se dizia no trailer original, era tudo uma questão de actores.

 "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?" teve uma notável performance nos Oscars, ganhando nada mais nada menos que cinco prémios: nas categorias de actriz (Elizabeth Taylor), actriz secundária (Sandy Dennis) e ainda guarda-roupa, direcção artística e fotografia — o caso da fotografia é histórico, já que foi a última vez que a Academia de Hollywood atribuiu um Oscar separado para os filmes a preto e branco; 50 anos depois, tudo mudou, mas "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?" permanece como um clássico que superou as marcas da sua própria época.  João Lopes (RTP, 18 dezembro '16)


crítica





da banda sonora:

o tema do filme










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10 FEV
 



BRUSCAMENTE, NO VERÃO PASSADO 

Joseph L. Mankiewicz.US: 1959, 114’

Muito injustamente, Tennessee Williams não gostava desta adaptação de uma peça sua, que considerava como uma das melhores que escrevera e cujo texto é magnífico. Uma viúva rica quer mandar fazer uma lobotomia à sobrinha, por ciúmes e para se vingar da morte do filho que adorava de modo doentio. Na grande cena final, Elizabeth Taylor tem talvez o melhor desempenho de toda a sua carreira, ao passo que Katharine Hepburn faz da grande cena de abertura um dos mais fascinantes momentos do filme. CINEMATECA PORTUGUESA




FICHA TÉCNICA



Realização: Joseph L. Mankiewicz


Argumento: Gore Vidal e Tennessee Williams, segundo a peça homónima de Tennessee Williams
Fotografia: Jack Hildyard;
Efeitos Fotográficos: Tom Howard
Direcção Artística: William Kellner
Som: A.G. Ambler e John Cox
 Montagem: Thomas G. Stanford
Música: Buston Orr e Malcolm Arnold 
Intérpretes: Elizabeth Taylor (Catherine Holly), Montgomery Clift (Dr. John Cukrowicz), Katharine Hepburn (Mrs. Violet Venable), Albert Dekker (Dr. Hockstader), Mercedes McCambridge (Mrs. Holly), Gary Raymond (George Holly), Mavis Villiers (Mrs. Foxhill), Patricia Marmont (enfermeira Benson), Joan Young (Irmã Felicity), Maria Britneva (Lucy), Sheila Robbins (secretária do Dr. Hackstader), David Cameron (jovem interno louro), Roberta Woolley (paciente).


Estreia Mundial: Dezembro de 1959


Estreia em Portugal: Tivoli, em 18 de Abril de 1960


trailer   // imdb  








no arquivo do CCF:




Entrevista de Dotson Rader a Tennessee Williams, The Art of Theater No. 5  (1981)



Linhas gerais do argumento 




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20 JAN

ADIVINHA QUEM VEM JANTAR
Stanley Kramer. US: 1967. 108' (M/12)


FICHA TÉCNICA
Título Original: Guess Who's Coming to Dinner, 1967.
Realização: Stanley Kramer
Argumento: William Rose
Fotografia: Sam Leavitt
Montagem: Robert C. Jones
Música: Frank De Vol
Origem: EUA
Ano: 1967
Duração: 108’

Interpretação: Spencer Tracy, Sidney Poitier, Katharine Hepburn, Katharine Houghton, Cecil Kellaway, Beah Richards, Roy Glenn, Isabel Sanford, Virginia Christine


SINOPSE
Realizado nos anos 60 por Stanley Kramer, em plena luta dos negros norte-americanos pelos seus direitos cívicos, conta a história de um casal branco (Katharine Hepburn e Spencer Tracy) a quem a filha anuncia que vai casar com um negro. O noivo (Sidney Poitier)) é médico e vive na Suíça, mas apesar deste cartão de visita, os pais da rapariga entram em choque. O filme ganhou os Óscares de Melhor Actriz Principal e de Melhor Argumento Original. (CINECARTAZ, PÚBLICO)




notas


Opinião / Adivinha quem vem (outra vez) jantar?
‘Quando evocamos, por exemplo, um filme como Adivinha Quem Vem Jantar? (1967), de Stanley Kramer, haverá quem o olhe, agora, como um objeto algo ingénuo e voluntarista na representação de brancos e negros... Talvez. Mas será que isso apaga a importância simbólica do seu impacto há quase meio século? E será que, um dia destes, alguém virá protestar contra a habitual presença minoritária dos brancos nos Grammys de tão vasto programa cultural.(…)’
João Lopes, dn de 24 janeiro de 2016 
Opinião / Aconteceu no ano de 1967
‘(…) Dir-se-ia que 1967 foi o ano em que o desmembramento dos modelos clássicos, a começar por Hollywood, foi acompanhado por uma espantosa profusão de experiências capazes de dar razão a um axioma mítico daquela década: tudo é (ou era) possível. Nos EUA, precisamente, foi o ano de Bonnie e Clyde, de Arthur Penn, A Primeira Noite, de Mike Nichols, e Adivinha Quem Vem Jantar?, de Stanley Kramer, filmes que, através das suas diferenças, apontavam para a necessidade de repensar a história, a mitologia e os valores sociais, numa urgência a que não podemos deixar de reconhecer uma perturbante atualidade simbólica. (…)’
 Oliver Stone fora dos Oscars
‘Confesso que encaro sempre com grandes dúvidas as vagas de protestos contra os Oscars de Hollywood, nomeadamente a que, há dois anos, veio “denunciar” aquilo que seria a marginalização dos afro-americanos. Não se trata, entenda-se, de avaliar se os Oscars consagram os “meus” ou os “teus” filmes... Trata-se apenas de observar que tais protestos coexistem com a noção simplista segundo a qual Hollywood apenas fabrica produtos escapistas, artisticamente irrelevantes.
Semelhante visão tem um efeito principal: promove a ignorância sobre a complexidade, plena de contrastes e contradições, da história política de Hollywood. Exemplo próximo: a esmagadora maioria das abordagens do tratamento cinematográfico dos afro-americanos não soube, ou não quis, evocar a fundamental herança ideológica dos filmes que, há meio século ou mais, foram protagonizados por Sidney Poitier (o emblemático Adivinha Quem Vem Jantar?, de Stanley Kramer, é de 1967). (…)







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REALIZADOR + COMPOSITOR

IPDJ-FARO // domingo // 16h

O Cineclube de Faro em parceria com o Sindicato de Professores da Zona Sul (SPZS) organizou em 2016-2017 os ciclos de cinema SE AINDA NÃO VIU e AÇÃO... REAÇÃO! nos quais se contou com convidados para uma tertúlia após a projeção dos filmes.

Sendo a banda sonora de um filme um dos elementos mais significativos da obra cinematográfica programámos filmes onde a presença da música é fulcral para contar a história. Grandes realizadores e grandes compositores. São estas duplas indelevelmente ligadas que iremos apresentar num ciclo de 6 filmes ao domingo às 16h no Instituto Português do Desporto e Juventude - IPDJ, em Faro.


parceria: SPZS/FENPROF
apoio: Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema

bilhete 
4€ público // 3€ estudante // 1.50€ SPZS/FENPROF // 1.50€ Rede do Programa JCE // 1€ sócios

gratuito para alunos do ensino secundário
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17 DEZ



LOLA 

Jacques Demy

FR: 1960. 85' (M/16)





Realização: Jacques Demy


Música: Michel Legrand (letra da canção: Agnès Varda), trechos de Beethoven (Sétima Sinfonia), Bach (Cravo Bem Temperado), Mozart (Concerto em ré para flauta) e Weber (Convite à Valsa) e alguns compassos do tema La Maison Tellier, de Le Plaisir, de Max Ophuls








Argumento: Jacques Demy


Fotografia: Raoul Coutard


Cenários e Guarda-Roupa: Bernard Evein


Montagem: Anne-Marie Cotret 








Interpretação: Anouk Aimée (Lola), Marc Michel (Roland Cassard), Alan Scott (Frankie, o marinheiro), Jacques Harden (Michel), Annie Dupéroux (Cécile), Elina Labourdette (a mãe de Cécile), Margo Lion (Jeanne, mãe de Jacques), Catherine Lutz (a dona do café), Gérard Delaroche (Yvon, o filho de Lola), Yvette Anziani (Mme. Frédérique, a dona do cabaret).





Estreia mundial: Paris, 3 de Março de 1961

Estreia em Portugal: Lisboa (cinema Tivoli), 9 de Setembro de 1963



sinopse
Nantes 1960. Lola, cantora de cabaret, educa um rapaz cujo pai, Michel, partiu há sete anos. Ela espera por ele, canta, dança e por vezes ama os marinheiros que passam. Roland Cassard, amigo de infância reencontrado por acaso, apaixona-se por ela. Mas Lola espera por Michel.





Chanson de Lola          



  IMDb     





Catherine Deneuve parle du film    



 Agnès Vardas parle du film      





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NOTAS



'Alguns consideram esta longa-metragem de estreia de Demy como a sua obra-prima. Em LOLA, estão todos os temas de Demy, os encontros e desencontros amorosos, os jogos de simetrias, o tom agridoce, a paixão pelo cinema americano. Dois dos protagonistas voltarão a aparecer em filmes posteriores, Lola em MODEL SHOP e Roland (Marc Michel) em LES PARAPLUIES DE CHERBOURG. Filmado em preto e branco e em scope, LOLA, dedicado à memória de Max Ophuls, também é uma homenagem à cidade natal do cineasta, Nantes. Anouk Aimée tem aqui um papel inesquecível.'

Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema


    em recorte no Arquivo no CCF:






excertos da crítica: 



'No cinema é sempre tudo mais bonito


"Au cinéma, c'est toujours plus beau" - no cinema, é sempre tudo mais bonito. Esta frase de Lola é um desígnio que Jacques Demy nunca deixou de tentar cumprir ao longo de uma carreira demasiado curta (doze longas-metragens em 30 anos). Como se a vida devesse ser mais como o cinema - e a glória e a tragédia simultânea do seu cinema foi sempre esse desfasamento, constante e procurado, entre um cinema consciente do seu artifício e os pés assentes na terra que nunca quis abandonar. Foi sempre nesse limbo que se ganhou ou se perdeu o cinema do realizador francês, revelado em plena explosão da Nouvelle Vague mas que muito rapidamente se desviou em direcção a um dos percursos mais idiossincráticos e singulares do cinema mundial. Para o bem e para o mal, Demy continua a ser identificado com os míticos Chapéus de Chuva de Cherburgo (1964), sumptuoso melodrama musical onde o artifício apenas reforçava a dolorosa impermanência da felicidade e a discrepância entre sonho e realidade.  (…) Na folha de sala com que apresentou o admirável Lola na Cinemateca Portuguesa, António Rodrigues define-o como uma espécie de "matriz" ou súmula de todo o cinema que Demy faria ao longo dos 30 anos seguintes, o que é absolutamente verdade. Dedicado a Max Ophüls, Lola desenha uma espécie de "ronda" entre personagens que gravitam (em alguns casos sem o saber) como satélites à volta de Cécile/Lola, a bailarina/"call girl" ingénua a que Anouk Aimée empresta uma sedutora e frágil frivolidade, possível apenas quando se quer esquecer a dureza da vida quotidiana. É uma heroína à imagem de Demy - pés no chão e cabeça no ar - e a musicalidade do seu estilo que parece surgir aqui inteiramente formado, fluido e quase coreográfico, trai já a ambição de grande espectáculo que não teve aqui orçamento para criar e que se espraiaria em filmes posteriores.
'

Jorge Mourinha, Público de 25 de Novembro de 2011





'Jacques Demy, o conhecido desconhecido

Logo na sua primeira longa-metragem, Jacques Demy mostrou que era um cineasta diferente, explorando a poesia nas suas imagens rigorosamente compostas e fotografadas em exaltante preto-e-branco por Raoul Coutard. A banda sonora de Michel Legrand, iniciando uma longa e proveitosa colaboração, ainda mais exalta esses sentimentos nesta história em que a vida do jovem inquieto interpretado por Marc Michel, a fazer pela vida no porto de Nantes, dá uma grande volta depois de um encontro fortuito o colocar no caminho da deslumbrante e, principalmente para o desenvolvimento da narrativa, misteriosa Lola, que Anouk Aimée interpreta quase em estado de graça.'

Rui Monteiro, Timeout de 14 de Agosto de 2017





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3 DEZ


JULIETA DOS ESPÍRITOS
Federico Fellini
IT / FR: 1965. 137' M/12


FICHA TÉCNICA
Título original: Giulietta Degli Spiriti

Realização:
Federico Fellini
Música:
Nino Rota

Argumento:
Federico Fellin,Tullio Pinelli, Ennio Flaiano, Brunello Rondi
Fotografia:
Gianni Di Venanzo
Montagem:
Ruggero Mastroianni 
Cenários: Luciano Riccieri, E.Benazzi Taglietti, Giantito Burchiellaro
Figurinos: Bri-Nylon, Piero Gherardi; Caracterização: Otello Fava, Eligio Trani
Som: Mario Faraoni, Mario Morici
Origem: Itália / França
Ano:
1965
Duração: 137'
Classificação etária:
M/12

Interpretação
Giulietta Masina, Sandra Milo, Mario Pisu 


Estreia Mundial: 22 de Outubro de 1965 
Estreia em Portugal: Estúdio 444 e Mundial, a 30 de Novembro de 1966



// IMDb 


// TRAILER    





// da banda sonora




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NOTAS

Uma das mais célebres extravagâncias de mestre Fellini feita por medida para a inesquecível Giulietta Masina.

Julieta, uma mulher de meia idade, vive com o seu marido Giorgio numa confortável casa. Giorgio negligencia diariamente a mulher, chega tarde a casa e nunca demonstra ter por ela qualquer sentimento. Uma noite Giorgio chega a casa acompanhado por um grupo de amigos que sugerem um sessão de espiritismo. Julieta descobre ser capaz de convocar os espíritos que reflectem os seus receios, ligados à infidelidade do marido, e que, por outro lado, lhe permitem o regresso à infância. Assim, um bizarro conjunto de espíritos gravitam em torno de Julieta, em parte assustando-a e pressionando-a a procurar gratificação sensual. As visões de Julieta começam a dominar a sua existência, embora ela procure desesperadamente libertar-se delas. Por fim, depois de descobrir que o marido é infiel e de resistir ao universo da sensualidade, que uma amiga lhe proporciona, Julieta atravessa a porta da auto-realização e passa para o Mundo dos espíritos do seu passado.
"Julieta dos Espíritos" é outra obra-prima de mestre Fellini e, sem dúvida, um dos seus filmes mais célebres de sempre. Obra de um portentoso fascínio visual, onde Fellini faz convergir temas caros ao seu universo cinematográfico, esta fábula de cariz psicanalítico é, no limite, uma genial e extravagante ilusão, construida sobre as visões extraordinárias de uma mulher vulgar que através do surreal e do esotérico consegue fugir à sua infelicidade quotidiana. Espantoso trabalho de cenografia e de fotografia, num filme que é um delirante caleidoscópio de pura fantasia feito sobre e à volta da fabulosa Giulietta Masina. RTP






PARA CONSULTA / NA BIBLIOTECA DO CCF:






SCHNEIDER, Steven Jay (Coord), Julieta, 1001 filmes para ver antes de morrerLondres: Quintet Publishing Limited (2.ª ed.), 2005


























O AUTOR / NA BIBLIOTECA DO CCF
bibliografia sobre o autor na biblioteca do CCF



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26 NOV


MARNIE
Alfred Hitchcock
US: 1964. 129' (M/12)



Realização: Alfred Hitchcock
Música: Bernard Herrmann

Argumento: Jay Presson Allen
a partir do romance homónimo de Winston Graham
Fotografia: Robert Burks
Montagem: George Tomasini
Cenários: Robert Boyle e George Milo
Guarda-Roupa: Edith Head
Som: Waldon O.Watson, William Greene

Interpretação: Tippi Hedren (Marnie Edgar), Sean Connery (Mark Rutland), Diane Baker (Lil Mainwaring), Martin Gabel (Sidney Strutt), Louise Lathan (Bernice Edgar, mãe de Marnie), Bob Sweeney (Bob, o primo), Alan Napier (Mr. Rutland), S.John Launer (Sam Ward), Mariette Hartley (Susan Clabon), Bruce Dern (o marinheiro), Henry Beckman (detective), Edith Evanson (Rita), Meg Wyllie (Mrs. Turpin), Louise Lorimer (Mrs. Strutt).


Produtor: Alfred Hitchcock e Geoffrey Stanley

Estreia Mundial: EUA, Agosto de 1964
Estreia em Portugal: S. Luiz e Alvalade, 13 de Janeiro de 1967




IMDb  
trailer 
da banda sonora 

apresentação do filme por A. Hitchcock

evento no Facebook




sinopse


Pensado para o possível regresso de Grace Kelly ao cinema, MARNIE é o último filme de Hitchcock com a “loira de gelo”, Tippi Hedren, que o deixou, como se sabe, “em fogo”. Marnie é uma ladra compulsiva, uma cleptomaníaca, em consequência de graves traumas na infância, que planeia roubar o patrão, mas, descoberta, é por este submetida a uma psicanálise “acelerada”. Um dos maiores (e mais mal amados) filmes de Hitchcock.
Cinemateca Portuguesa



CRÍTICA


O drama do chamado saber corrente, ou da sua variante mais agressiva que é o senso comum, é o drama da evidência — quando se reproduz algo «que toda a gente sabe», tudo parece tão evidente que seria inglório tentar pensar o confrário, ou apenas diferente. Hitchcock, por exemplo: «toda a gente sabe» que acabou em 1963, com Os Pássaros, e que o que vem depois se resume a variações relativamente menores sobre os grandes temas e obsessões da sua obra. Isto, apesar de Marnie que vem, precisamente, em 1964, logo a seguir a Os Pássaros. Ou, dirão os mais desiludidos, precisamente por causa de Marnie.

E redescobri-la é, antes do mais, reencontrar Tippi Hedren, actiz que está para o cinema de Hitchcock como certos actores estão para alguns filmes de Robert Bresson. Foi Hitchcock que a inventou, oferecendo-lhe em Os Pássaros o papel do anjo distraído que (ou seduzia?) as forças do mal. De certo modo, foi também Hitchcock que a esgotou: a sua restante filmografia tomou-se praticamente irrelevante. Parece seguro afirmar que o velho «gentleman» britânico viu nela, antes do mais, o símbolo repetido de Grace Kelly: a loura fria e distante, imprevisível como um vulcão. E se Os Pássaros foi a versão mítica de tão suprema vocação, Marnie é o seu retrato intimista. Que é como quem diz: uma imagem da mulher como detentora do enigma supremo do desejo.

Na prática, isto significa que Marnie é o filme de Hitchcock em que a sexualidade se exprime na sua maior violência figurativa. Violência simbólica, entenda-se, porque o autor de Vertigo foi, até ao fim, um cineasta da alusão ou melhor, alguém que acreditou, sobretudo, na energia das formas como via de apropriação e reconversão da percepção dita normal. Marnie é, assim, o filme da sensualidade indecifrável da misteriosa mala amarela, da omnipresença de um cavalo puro como uma figura divina, enfim, do sangue derramado sobre o «ecrã», sangue que, em boa verdade, se transforma em «ecrã» definitivo de toda a história da personagem.

Estamos, assim, perante uma fábula misteriosa que se passa num país abstracto em que paisagens e gestos, volumes e cores parecem determinados apenas pela topografia indizível do desejo. Que perante tanta violência desse país conjugado no feminino esteja um homem, espectador e expectante, é um detalhe romanesco que não surpreenderá. Mas que esse homem seja Sean Connery no ano de Goldfinger, isto é, em plena euforia do seu período James Bond, eis o que diz bem da ironia radical de Hitchcock. Vejam-no, de invencível e fatal, transformado em simples e frágil olhar tacteando sobre a tragédia de Marnie. Ou como, na galáxia hitchcockiana, a mulher escreve uma história dilacerada que o homem persegue fascinado e sem saber.

João Lopes, Expresso





por
João Bénard da Costa










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12 NOV


O CONTRATO
Peter Greenaway 


ficha técnica
Título original: The Draughtsman’s Contract

Realização: Peter Greenaway
Música: Michael Nyman

Argumento: Peter Greenaway
Fotografia: Curtis Clark
Montagem: John Wilson
Origem: GB
Ano: 1982
Duração: 108'
Classificação etária: M/16






















sinopse

Na Inglaterra rural seiscentista, Mrs.Herbert e o seu marido vivem uma crise conjugal. Ele decide tirar umas férias e ela, para o surpreender no seu regresso, decide contratar um artista para retratar os terrenos da sua propriedade. O desenhador aceita, mas exige fazê-lo em troca dos favores sexuais de Mrs.Herbert. Neste labiríntico conto de Peter Greenaway sobre sexo, falsidade e desenho, a questão é quem explora quem. É uma análise sobre arte, comércio e Protestantismo, acompanhada pela música de Michael Nyman.


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22 OUT 


FELIZ NATAL MR. LAWRENCE
Nagisa Oshima
JP/GB/NZ: 1982. 118' (M/16)

Argumento: Nagisa Oshima e Paul Mayensberg, baseado no romance “The Seed and the Sower” e nos contos “A Bar of Shadow” e “The Sword and the Doll”, de Laurens van der Post
Director de fotografia (35 mm, Eastmancolor): Toichiro Narushima
Cenários: Andrew Sanders
Figurinos: Masaru Arakawa
Música: Ryuichi Sakamoto; a canção “Brother”, de Stephen McCurdy
Montagem: Tomoyo Oshima
Som (Dolby stereo): Mike Westgate
Interpretação: Ryuichi Sakamoto (Capitão Yonoi), David Bowie (Major Celliers), Tom Conti (Coronel Lawrence), Takeshi (Sargento Hara), Jack Thompson (Capitão Hicksley, chefe dos prisioneiros ingleses), James Malcolm (o irmão de Celliers), Chris Broun (Celliers aos 12 anos), Alistair Browning (o prisioneiro holandês), Johny Okura (o prisioneiro coreano).



"Feliz Natal, Mr. Lawrence" é um filme de guerra invulgar realizado por Nagisa Oshima, um dos mais polémicos cineastas japoneses, que tem como protagonista David Bowie. Depois dos controversos "O Império dos Sentidos" (1976) e "O Império da Paixão" (1978), Nagisa Oshima dirigiu este drama passado na II Guerra Mundial num campo de prisioneiros japonês, onde faz uma inquietante reflexão sobre a natureza humana. David Bowie interpreta o papel de Jack Celliers, um calado e místico prisioneiro num campo japonês. Protestando contra as más condições do campo e o tratamento dado aos prisioneiros, Jack Celliers ganha o respeito do capitão Yonoi - interpretado pelo compositor Ryuichi Sakamoto, também responsável pela banda sonora do filme -, que comanda o campo. Enquanto Celliers e Yonoi parecem presos a uma espécie de entendimento espiritual, onde atracção e repulsa coexistem, o coronel John Lawrence (Tom Conti), emprega uma forma mais convencional de resistência contra o implacável sargento Gengo Hara (Takeshi Kitano, o realizador de "O Verão de Kikujiro", "Os Rapazes regressam" e o último "Brother"). Destaque para a interpretação fascinante de David Bowie e para a banda sonora original de Sakamoto. Nagisa Oshima foi nomeado para a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1983.

PUBLICO.PT


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8 OUT



O TEMPO DOS CIGANOS
Emir Kusturica
RU/IT/YU, 1989, 137' (M/16)


"O Tempo dos Ciganos" é um filme curioso e hipnótico com uma visão lírica da cultura exótica da comunidade cigana na Jugoslávia. Kusturica funde comédia e tragédia, realismo e fantasia, integrando uma das características mais marcantes dos seus filmes, sempre suportada pela excelente música de Goran Bregovic: a celebração da vida. No centro da história está o jovem Perhan, que vive num "ghetto" cigano com a avó, o tio e a irmã deficiente Danira. O meio de subsistência da família vem dos poderes de cura da avó e da venda de pedra calcária. Perhan está apaixonado pela sua vizinha, Azra, a sua única fonte de felicidade. Mas os repetidos pedidos de casamento são recusados pela mãe da rapariga que vê na sua pobreza a razão da recusa. O destino de Pehran altera-se quando, um dia, a avó salva a vida do filho de Ahmed (Bora Todorovic), um criminoso. O filme é considerado uma das grandes obras dos anos 80 e deu ao cineasta o Prémio da Melhor Realização no Festival de Cannes.
Público



PROGRAMAÇÃO













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